Síndrome dos ovários poliquísticos (SOP) e gravidez em Portugal
Como o SOP afeta a fertilidade, opções de indução de ovulação (letrozol, clomifeno, FIV) e onde tratar em Portugal.
O que é o SOP
A síndrome dos ovários poliquísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, com prevalência estimada de 8–13% em Portugal. Caracteriza-se por uma combinação de oligo/anovulação, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e morfologia ovárica poliquística na ecografia (critérios de Rotterdam, dois de três).
É uma das principais causas de infertilidade por anovulação — felizmente, também uma das mais tratáveis.
Diagnóstico
O diagnóstico em Portugal segue os critérios de Rotterdam e exige exclusão de outras causas (hiperprolactinemia, disfunção tiroideia, hiperplasia adrenal congénita, síndrome de Cushing).
Exames habituais:
- Análises hormonais: LH, FSH, estradiol, AMH (frequentemente elevado), testosterona total e livre, SHBG, prolactina, TSH, 17-OH-progesterona
- Ecografia transvaginal: ≥20 folículos por ovário ou volume ovárico >10 mL
- Avaliação metabólica: glicemia em jejum, insulinemia, HbA1c, perfil lipídico
Otimização pré-concecional
Antes da indução de ovulação, a primeira linha em mulheres com SOP e excesso de peso é a modificação do estilo de vida: perda de 5–10% do peso corporal restaura ovulação espontânea em até 50% dos casos. Acompanhamento nutricional e atividade física estruturada são fundamentais.
A metformina pode ser útil em mulheres com resistência à insulina ou intolerância à glicose, embora as guidelines atuais (ESHRE 2023) reservem o seu uso adjuvante.
Indução de ovulação
Letrozol (primeira linha)
O letrozol (2,5–7,5 mg/dia, dia 2–6 do ciclo) é hoje a primeira linha de indução de ovulação no SOP, com taxas de gravidez superiores ao clomifeno e menor risco de gestação múltipla. Em Portugal está disponível com receita médica.
Citrato de clomifeno
Alternativa clássica, com taxas de ovulação de ~75% e taxa de gravidez cumulativa de ~30% em 6 ciclos. Tem maior risco de gestações múltiplas (8%) e de hiperestimulação ligeira.
Gonadotrofinas + IIU
Em falha das opções orais, gonadotrofinas em baixa dose com monitorização ecográfica rigorosa, frequentemente combinadas com inseminação intrauterina.
FIV
Reservada para falha das opções anteriores, fator masculino associado, idade ≥35 anos ou tempo de infertilidade prolongado. Mulheres com SOP têm risco aumentado de síndrome de hiperestimulação ovárica (SHO) — protocolos antagonistas com trigger de GnRH agonista e estratégia freeze-all são preferenciais.
Custos típicos em Portugal
- Consulta de endocrinologia reprodutiva: 80€–150€
- Ciclo de indução com letrozol + monitorização: 300€–600€
- IIU: 800€–1.500€
- FIV: 3.500€–6.500€ + medicação
No SNS, todos estes tratamentos estão disponíveis para casais que cumpram os critérios de elegibilidade.
Riscos obstétricos
Mulheres com SOP têm risco aumentado de diabetes gestacional, hipertensão e parto pré-termo. Vigilância obstétrica reforçada é recomendada.
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Fontes
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